A revolução 4.0 traz promessas e perigos

Jornal O Público, 02 abril 2019

A 5 de Janeiro de 1914, o empresário americano Henry Ford – criador de um método de produção que tornava o trabalho dos empregados quase robótico, mas muito eficaz – aumentou drasticamente o salário dos funcionários. A medida tornou-se célebre nos livros de história e gestão. O aumento não pretendia apenas evitar que os empregados faltassem ao trabalho ou se despedissem de um emprego monótono. Tinha também o poderoso efeito secundário de dar aos funcionários rendimento para comprarem os automóveis produzidos na fábrica em que eles próprios trabalhavam.

Um século volvido, há quem debata a possibilidade de um rendimento básico universal, em parte destinado aos que não encontram emprego por causa da automação e das tarefas que são cada vez mais feitas por robôs. Também há quem avance com a possibilidade de taxar o trabalho robótico. São medidas discutidas por académicos, por empresários e até afloradas por legisladores, incluindo no Parlamento Europeu. Estão, porém, muito longe de se transformarem em lei.

“O papel das pessoas e do trabalho nas empresas industriais, com crescentes níveis de automação, vai mudar. Tecnologias com alguma inteligência, com potencial para substituir as pessoas, trarão uma transformação grande, também ao nível das competências”, nota o académico Rui Soucasaux Sousa, professor na Católica Porto Business School.

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